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DIA INTERNACIONAL DOS ARQUIVOS João Ângelo, cantador de alegria

Seres humanos nascem, vivem, e depois desaparecem. Para quem fica, permanecem memórias e vestígios. As memórias perder-se-ão quando aqueles que as guardam também nos deixarem. Os vestígios – documentos, fotografias, objetos, etc. – serão tudo o que resta para as gerações futuras vislumbrarem um pouco de quem muito viveu, muito fez, e já partiu. Por isso, são preciosos, e merecem todo o nosso cuidado. É para isso que servem os Arquivos.

A 9 de junho, celebra-se o Dia Internacional dos Arquivos. Para nós, trabalhadores deste Arquivo Regional, é um dia importante, que fazemos sempre por assinalar, procurando levar ao público a importância dos arquivos, e mostrando-lhe um pouco da riqueza cultural que temos o privilégio de conservar e disponibilizar à consulta.

Neste ano de 2026, a coleção que escolhemos para ser a estrela deste dia é o arquivo do cantador terceirense João Ângelo Vieira – espólio que integra a documentação do nosso Arquivo desde 2021, graças à generosidade da sua sobrinha, D. Filomena Brasil – e temos o enorme prazer de ter como parceira, neste evento, a Junta de Freguesia de S. Bartolomeu.

No âmbito desta celebração, terá lugar no dia 16 de junho, pelas 20h00, no Núcleo Museológico de São Bartolomeu de Regatos, a apresentação pública do espólio de João Ângelo Vieira, promovendo a valorização e divulgação do seu legado cultural. A sessão contará com a presença de José Eliseu e das atuações dos cantadores José Esteves e Roberto Toledo, bem como dos tocadores António Corvelo e Orivaldo Chaves.

A escolha deste espólio para assinalar o Dia Internacional dos Arquivos não é, aliás, casual. Não será fácil conceber alguém que, tanto como ele, represente e encarne o espírito terceirense: homem gentil, trabalhador, sábio, honesto, espontâneo e criativo, amante de festa e portador de alegria. Quem conheceu João Ângelo e nos fale, hoje, sobre ele, geralmente terá dificuldade em encontrar palavras que descrevam sobejamente o indivíduo, o amigo e o artista. Como todos os grandes, João Ângelo era humilde, não arriscava pensar demasiado sobre si próprio, e era um confesso admirador dos seus pares. Mas são figuras como ele que moldam a cultura de um povo, e servem de modelo aos vindouros. Não escondemos que temos um prazer especial em relembrar, neste dia, o seu legado.

Ter João Ângelo no nosso Arquivo permite-nos oferecer ao público uma janela sobre o que há de mais genuíno na cultura e vivência açoriana. Entre os documentos que nos deixou, podemos encontrar alguns deliciosos manuscritos – muitos deles valiosos documentos da história local – versos datilografados, álbuns fotográficos, gravações que incluem cantorias, velhas e pezinho, e temos acesso a interessantes retalhos da vida da diáspora açoriana, particularmente na Califórnia. Esta relação com a diáspora é um dos aspetos mais relevantes da figura de João Ângelo e simboliza, no mínimo, a profunda ligação que une os açorianos dos dois lados do Atlântico.

Sabemos que aquilo que nos ficou de João Ângelo, particularmente no que respeita ao legado documental que temos a alegria de conservar, não serve, de forma alguma, para o resumir, explicar, nem mesmo para o representar na sua ausência. São apenas pegadas, fragmentos, relíquias de uma vida. Mas Arquivo é isso mesmo, e é algo a ser partilhado.

Detalhes

Data:
16 Junho
Hora:
20:00 - 21:00
Categorias de Evento:
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